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9 min de leitura

Ensaio de resistência ao fogo NBR 5628 e a classificação REI de paredes a seco

Por Equipe Active Drywall ·

Curva de incêndio padrão, os critérios R, E e I, os tempos de 30 a 120 minutos e por que a classificação pertence ao sistema completo, não à chapa.

Neste artigo

O que significa uma parede "resistir ao fogo"#

Dizer que uma parede resiste ao fogo por 60 minutos parece simples, mas por trás dessa frase há um ensaio rigoroso e uma classificação com critérios precisos. A resistência ao fogo não é uma qualidade vaga: é um desempenho medido em laboratório, sob uma curva de aquecimento padronizada, avaliado por parâmetros objetivos e expresso em minutos. Compreender como esse ensaio funciona é o que permite ao projetista ler corretamente a documentação de um sistema de drywall e especificar com segurança.

A norma brasileira que rege o ensaio de resistência ao fogo de elementos construtivos de vedação, como as paredes, é a ABNT NBR 5628, alinhada aos princípios internacionais da ISO 834. A classificação resultante, e as exigências de quando aplicá-la, articulam-se com as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros. O projeto de proteção contra incêndio é atribuição de profissional habilitado.

A curva de incêndio padrão#

Todo ensaio de resistência ao fogo começa por uma condição de aquecimento reproduzível. Não se pode ensaiar cada elemento em um incêndio real, imprevisível; usa-se a curva de incêndio padrão (também chamada curva-padrão temperatura-tempo), definida pela ISO 834 e adotada pela NBR 5628. Ela descreve como a temperatura do forno cresce ao longo do tempo, subindo rapidamente nos primeiros minutos e continuando a elevar-se de forma logarítmica, atingindo várias centenas de graus em poucos minutos e ultrapassando mil graus ao longo do ensaio.

Essa curva não representa qualquer incêndio específico; é uma referência convencional que permite comparar elementos entre si em bases idênticas. Um elemento classificado para 90 minutos suportou a curva-padrão por esse tempo mantendo seu desempenho, seja qual for a comparação com um incêndio real particular. O corpo de prova é montado em escala real na abertura do forno e submetido ao aquecimento em uma das faces, simulando o incêndio de um lado da parede.

Os três critérios: R, E e I#

Durante o ensaio, o desempenho do elemento é avaliado por três critérios independentes, cujas iniciais formam a classificação REI. O elemento só mantém sua classificação enquanto atende, simultaneamente, aos critérios exigidos.

R — Resistência (estabilidade)#

O critério R avalia a capacidade do elemento de manter sua função de suporte, quando ele é estrutural, sem colapsar. Para paredes de vedação não estruturais, o foco recai sobre os critérios E e I; para elementos que também sustentam carga, o R é essencial. A perda de estabilidade, o colapso, encerra a classificação no tempo em que ocorre.

E — Estanqueidade (integridade)#

O critério E avalia a integridade do elemento, sua capacidade de impedir a passagem de chamas e gases quentes para a face não exposta. A falha de estanqueidade ocorre quando surgem fissuras ou aberturas que deixam passar chamas, ou quando gases inflamam um chumaço de algodão de referência aplicado na face não exposta. É o critério que garante que o fogo não atravesse fisicamente a parede.

I — Isolamento térmico#

O critério I avalia o isolamento térmico: a face não exposta ao incêndio não pode aquecer além de limites definidos, medidos como elevação média e máxima de temperatura em relação ao início do ensaio. Esse critério protege contra a propagação por radiação e condução: mesmo sem chamas atravessarem, uma face muito quente pode inflamar materiais encostados nela no compartimento vizinho. Manter a face fria dentro dos limites é o que caracteriza o isolamento.

A classificação em tempos#

A resistência é expressa combinando os critérios atendidos e o tempo em minutos, tipicamente 30, 60, 90 ou 120. Uma parede classificada como REI 90 manteve, por 90 minutos sob a curva-padrão, a estabilidade, a estanqueidade e o isolamento térmico. Uma parede de vedação sem função estrutural pode ser classificada, por exemplo, como EI 60, atendendo estanqueidade e isolamento por 60 minutos. O TRRF exigido pelas Instruções Técnicas para a situação define qual classificação a parede deve ter, e o projetista seleciona o sistema cujo ensaio a comprove.

Resistência e estabilidade: o caso das paredes estruturais#

Vale distinguir dois papéis que uma parede pode ter no ensaio de resistência ao fogo, porque o critério R aplica-se de forma diferente a cada um. Uma parede de vedação, não estrutural, não sustenta carga da edificação; para ela, o foco recai sobre os critérios E e I, e a classificação típica é do tipo EI seguido do tempo. Já uma parede que também tem função estrutural, sustentando cargas verticais, precisa demonstrar o critério R, mantendo a estabilidade sob o incêndio enquanto carregada.

Em construção a seco, essa distinção aparece com clareza no steel frame, onde paredes portantes de perfis de aço podem ter função estrutural. Nesses casos, o ensaio de resistência ao fogo é conduzido com a parede sob carga, e o critério R avalia se ela sustenta o carregamento durante o tempo classificado sem colapsar. O aço perde resistência mecânica com a temperatura, e a proteção conferida pelas chapas de gesso é justamente o que retarda o aquecimento dos perfis, preservando sua capacidade portante. O dimensionamento dessas paredes portantes sob fogo é atribuição de engenheiro, integrando o comportamento estrutural ao desempenho de incêndio.

Ensaio de laboratório e realidade da obra#

Como em toda propriedade ensaiada, há a distinção entre o desempenho de laboratório e o que se constrói. O ensaio de resistência ao fogo é feito sobre um corpo de prova montado com rigor, exatamente conforme a especificação do sistema. Na obra, se a montagem se desvia, o desempenho real pode ficar abaixo do classificado. Os desvios mais comuns e perigosos são:

  • Suprimir camadas de chapa RF para economizar, reduzindo a proteção.
  • Ampliar o espaçamento dos montantes além do ensaiado, o que altera o comportamento sob calor.
  • Omitir ou reduzir a lã mineral da cavidade, que contribui para o isolamento e a estabilidade.
  • Executar mal o tratamento de juntas, criando pontos por onde chamas e gases passam antes do tempo.
  • Não garantir a continuidade de laje a laje, o erro que anula a classificação independentemente da qualidade do sistema.

A verificação em obra, portanto, não é burocracia: é a garantia de que a parede construída tem, de fato, a resistência que a documentação declara. Registrar e conferir a composição executada faz parte da entrega de uma parede corta-fogo.

Por que a classificação pertence ao sistema, não à chapa#

Este é o ponto que mais gera confusão em obra: a chapa não tem REI; o sistema tem. Uma chapa RF avulsa é apenas um componente. O que se ensaia e se classifica é o conjunto completo montado, composto por:

  • O tipo e o número de camadas de chapa por face.
  • A estrutura: tipo, bitola e espaçamento dos montantes.
  • O preenchimento da cavidade com lã mineral, sua densidade e ponto de fusão.
  • O tratamento de juntas, as fixações e seus espaçamentos.

Alterar qualquer desses elementos gera um sistema diferente, que não tem, automaticamente, a mesma classificação. Reduzir o número de chapas, trocar a lã por uma de menor densidade, ampliar o espaçamento dos montantes ou usar chapa comum no lugar da RF descaracteriza o ensaio e invalida a classificação declarada. Por isso a documentação a exigir do fabricante é o relatório de ensaio do sistema específico, e o executante deve montar exatamente o que foi ensaiado.

A relação entre o TRRF e a classificação do sistema#

O elo entre a exigência normativa e o produto especificado merece ser explicitado, porque é onde muitos projetos erram. As Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros definem o TRRF, o tempo requerido de resistência ao fogo, para cada elemento em função da altura, ocupação e área. O fabricante, por sua vez, oferece sistemas com classificação REI comprovada por ensaio. A especificação correta é aquela em que a classificação do sistema iguala ou supera o TRRF exigido, com o critério certo.

Alguns cuidados nessa correspondência:

  • A classificação precisa cobrir os critérios exigidos para a função do elemento. Uma parede de compartimentação de vedação exige, tipicamente, estanqueidade e isolamento (EI); confundir com um sistema que só demonstra estabilidade seria um erro.
  • O tempo classificado deve ser igual ou superior ao TRRF, nunca inferior. Não existe "quase atende": ou o sistema tem a classificação exigida, ou não serve.
  • O ensaio deve corresponder ao arranjo real de uso, incluindo, quando aplicável, a orientação do incêndio, já que algumas paredes são ensaiadas para fogo de um lado específico.

Fazer essa correspondência corretamente é uma competência técnica do projetista de segurança contra incêndio, que traduz a exigência da IT em um sistema construtivo verificável e documentado.

Como o drywall resiste ao fogo#

Entender o mecanismo ajuda a valorizar a integridade do sistema. A chapa de gesso resiste ao fogo por uma propriedade notável do próprio gesso: ele contém água quimicamente combinada em sua estrutura cristalina. Sob calor, essa água é liberada em um processo endotérmico, a calcinação, que consome energia e mantém a face da chapa em uma temperatura próxima à de evaporação da água enquanto houver água a liberar. Esse "escudo térmico" retarda a passagem do calor. As chapas RF acrescentam fibra de vidro e aditivos que mantêm a coesão da chapa calcinada, evitando que ela se despedace e exponha as camadas seguintes. A lã mineral de alta densidade na cavidade reforça o isolamento e sustenta a estrutura sob calor. Em conjunto, essas camadas entregam os tempos classificados.

Conclusão#

A resistência ao fogo de uma parede a seco é um desempenho medido pela NBR 5628 sob a curva de incêndio padrão, avaliado pelos critérios R de estabilidade, E de estanqueidade e I de isolamento térmico, e expresso em minutos como classificação REI. O TRRF definido pelas Instruções Técnicas determina a classificação exigida, e o projetista seleciona o sistema cujo ensaio a comprove. O ponto inegociável é que a classificação pertence ao sistema completo, não à chapa: montar exatamente o conjunto ensaiado é o que garante o desempenho. Toda a especificação e verificação de resistência ao fogo devem ser conduzidas por profissional habilitado, com respaldo em relatório de ensaio e aprovação do Corpo de Bombeiros.

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